SANTA MARIA - Apesar de não ter mais o vai e vem dos tempos áureos da ferrovia, a gare ainda é caminho de muitas pessoas que moram no bairro Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e cruzam a antiga estação em direção ao centro de Santa Maria. O percurso fica perigoso próximo aos vagões. O risco é passar embaixo da cobertura de telhas de amianto - material que não é mais utilizado. Alvo da ação do tempo e de vândalos, que retiraram parte da estrutura, a cobertura está em precário estado de conservação. Situação que não impede a realização de eventos, como a tradicional Feira de Múltiplas Artes, que ocorrem aos domingos, e a do Peixe.
- Elas (as telhas) estão por cair e, mesmo assim, continuam a acontecer eventos aqui, como a Feira do Peixe. Dizem que Santa Maria é a Cidade Cultura, mas não estão preservando um local tão importante na história da cidade. Não há manutenção - conta a dona de casa Deisy dos Santos, 33 anos, que seguia na última quarta-feira com a filha Andressa dos Santos, 17, em direção ao Centro.
Jorge Pereira, 69 anos, e Olga Alves, 71, moram ao lado da gare e passam diariamente no local para subir a Rio Branco.
- Em dias de chuva e vento, isso aqui dá medo de passar. Há mais de um ano está desse jeito. Passamos mais perto da parte interna para não cair nada na nossa cabeça - conta Olga.
Para Marla Campos, 34 anos, que passava por ali para buscar a sobrinha de 8 anos na escola, além do estado de conservação da cobertura, a segurança também é preocupante.
- Aqui não tem segurança. Temo pelos meus filhos que estudam na João Belém - diz Marla.
Retirada - Na quarta-feira, o Diário constatou que haviam muitas telhas e pedaços de madeiras soltos, ameaçando cair em cima dos pedestres. No prédio ao lado fica a sede da Secretaria Municipal de Cultura. Na quarta-feira, a secretária Iara Druzian, afirmou que ainda não sabia da situação e providenciaria a retirada imediata do material. Ontem, por volta das 16h30min, o Jornal retornou ao local e pouca coisa mudou. Algumas telhas e madeiras foram retiradas. A estrutura ainda oferece risco para quem passa pela gare. A secretária ressaltou que há um projeto de revitalização, mas sem prazo para sair do papel.
- O ministro do Turismo assegurou verbas para o projeto de revitalização da gare - diz Iara.
Segundo o presidente do Escritório da Cidade, Júlio Silva Neto, a reforma será dividida em duas partes: do prédio, no valor de R$ 1,5 milhão e dos vagões e a cobertura R$ 2 milhões.